Podemos entender que emoções são reações espontâneas que temos diante de alguma circunstância. As emoções básicas são: raiva, alegria, tristeza, medo e nojo. Elas são como as cores primárias.
E por que fiz a analogia das emoções básicas com as cores primárias?
Porque a partir da mistura das cores primárias podemos ter muitas cores novas, certo? Sendo assim, entendo que a partir das mistura das nossas emoções básicas, podemos ter muitas outras emoções, onde muitas vezes nem conseguimos nomeá-las de tão misturadas que elas estão. Faz sentido?
E o que são sentimentos? Sentimentos são aquelas sensações que sentimos a partir de uma emoção que tivemos. Simples assim. O sentimento pode ser acessado, muitas vezes, a partir da memória ou de algum gatilho externo que nos lembre da circunstância que gerou a emoção. E a cada vez que pensamos naquela circunstância vem o sentimento, talvez não com a mesma intensidade, mas de maneira recorrente. E aqui está a chave! Muitas vezes sentimos sensações desconfortáveis, mas não sabemos da sua origem… bom, mas isso é assunto para outro texto!
Convido você para fazer uma experiência:
Busque na sua memória um dia de muita alegria, o que aconteceu naquela circunstância?
Conseguiu?
E agora resgate na memória um dia que sentiu raiva…
Feito?
Bem, isso se chama sentimento…você acabou de ter um sentimento que estava registrado na sua memória a partir de uma emoção que emergiu de uma circunstância.
Talvez isso já seja do conhecimento de boa parte das pessoas. Mas o que talvez ainda nos falta é a habilidade para lidar com sentimentos recorrentes de eventos passados que geraram emoções desconfortáveis. Hoje entendo que isso seja um “calcanhar de aquiles” da nossa sociedade, em outras palavras é um ponto fraco que ainda temos, pelos menos, nós adultos.
Usei “calcanhar de aquiles” para representar a ausência de habilidade do sentir, olhar, cuidar, falar e ressignificar as nossas emoções/sentimentos. E o que fazemos? … por não ter aprendido a expressar e a elaborar as emoções nós reprimimos e concentramos em nossa memória e em nosso corpo aquilo que sentimos, ou seja, não processamos, não concluímos, ficamos enredados, remoendo, ruminando, julgando, criticando, condenando…o resultado disso são: desequilíbrios, conflitos internos e externos e no extremo aparições de doenças, sejam elas psicológicas e ou físicas. Isso mesmo, doenças são as somatizações das emoções não processadas, não expressadas ou não concluídas. Ou em outras palavras emoções/sentimentos não vistos…
Sinto que entramos em um “tempo” onde muitas pessoas irão sentir a necessidade de aprender a sentir as emoções para elaborar e soltá-las. Se quisermos ter uma vida mais leve e manter a constância da alegria, da paz e do contentamento em nossas vidas, precisamos passar por esse processo, não tem outro jeito.
Mas como posso fazer isso?
Existem muitas ferramentas para nos apoiar neste processo (e cada dia está chegando mais). Se sentir de buscar essas ferramentas, a minha sugestão para você é: comece a treinar o seu “sentir”. Isso mesmo, observa a sensação, os sinais, os símbolos que te chamam atenção quando você for escolher uma técnica, um terapeuta, um livro ou um vídeo, não decida por “velhos paradigmas”, abra a mente e o coração, cuide para não se deixar levar por resultados mirabolantes, o processo não é linear, ele é único, ou seja, cada um tem o seu próprio ritmo e experiências…as ferramentas servem apenas para nos apoiar no processo, eu diria que a permissão para o trabalho ser realizado internamento é nosso e ele só vai acontecer conforme a gente dá conta. Em outras palavras, o processo é nosso, o que vem do externo é apenas suporte.
Estamos juntas e juntos!