Conhecer a real origem do tarô é uma tarefa quase impossível. Muito já se buscou, mas até hoje ninguém sabe ao certo quando nem como este oráculo nasceu. Já se atribuiu a criação do tarô aos egípcios, chineses, indianos, hebreus, mas nunca se chegou de fato à sua real origem.
Os registros já encontrados, em literaturas e estudos, se deram na Europa, no século 14, indicando que as cartas vieram do Oriente Médio, ao longo de rotas comerciais bem estabelecidas. Estas cartas já se encontravam divididas em quatro naipes, nomeadas como taças, bastões, moedas e espadas que, adaptadas para nossa linguagem atual, são conhecidas como copas, paus, ouros e espadas. Cada naipe continha dez cartas numeradas e três cartas com figuras, que hoje são conhecidas como cartas da corte.
O primeiro tarô já encontrado
Um fato histórico bastante importante diz respeito ao primeiro conjunto de cartas de tarô encontrado por volta de 1390 e que era nomeado como LUDUS CARTARUM. Depois, por volta de 1450, as cartas foram chamadas de TAROCCO, pelos italianos. O nome TAROT surgiu somente a partir de 1590 e foi dado pelos franceses. A denominação ARCANOS surgiu apenas por volta de 1860.
As primeiras referências conhecidas que se tem do tarô datam do início da Renascença e se concentram em Veneza, Milão, Florença e Urbino, na Itália. De um dos mais antigos baralhos de tarô conhecidos, acredita-se que seja esta carta, com uma imagem pintada à mão e folheada a ouro. Tudo indica que este tarô tenha sido encomendado pelo ex-duque de Milão, Francesco Sforza, ao artista Bonifacio Bembo.
Apenas três decks sobreviveram a essa época e outros exemplos dos designs do artista Bembo podem ser encontrados no Metropolitan Museum of Art de Nova York.
O tarô se tornou uma ferramenta de adivinhação democrática no final do século 19, com o surgimento do ocultismo na era vitoriana. Mas foi com a criação do baralho Rider Waite Smith, em 1910, que a prática do tarô foi impulsionada do arcaico para o moderno.
Embora algumas imagens permaneçam semelhantes às encontradas nos baralhos anteriores, foi nesta época que muitas das referências cristãs foram atenuadas. Por exemplo, a carta do “Papa” tornou-se o “Hierofante” e a “Papisa” tornou-se a “Alta Sacerdotisa”. A carta do Sol, que teria conotações semelhantes às de Cristo nos primeiros baralhos, foi retrabalhada em uma representação mais generalizada, indicando saúde e abundância.
O famoso Tarô de Rider Waite Smith
Pouca gente sabe, mas aquelas imagens icônicas do famoso Rider Waite Smith foram criadas por uma mulher: Pamela Coleman Smith.
O fato do nome da artista ser omitido por anos nos tarôs publicados, deve-se, em grande parte, ao fato de ela ser uma mulher biracial. Nascida em Londres, filha de pais americanos ricos (que faziam parte de um grande círculo de amigos influentes), ela morou por um tempo em Nova York e na Jamaica antes de voltar de vez para os Estados Unidos, em 1893, onde estudou no Pratt Institute e foi apresentada aos estilos Art Nouveau e Simbolismo, que ela habilmente aplicou em muitas de suas criações, inclusive o tarô de Rider Waite Smith.
Quando o tarô de Smith foi publicado pela primeira vez pela Rider, na Inglaterra, em dezembro de 1909, era simplesmente chamado de Cartas de Tarô e era acompanhado pelo guia de Arthur Edward Waite intitulado A Chave do Tarô . No ano seguinte, Waite adicionou os desenhos em preto-e-branco de Smith ao livro e o publicou como The Pictorial Key to the Tarot. Em 1971, a US Games comprou o direito de publicar o baralho e publicou-o com o título The Rider Tarot Deck (devido a diferenças nas leis de direitos autorais dos EUA e do Reino Unido, a extensão de seus direitos autorais no baralho Waite-Smith é contestada).